CONCURSO PARA MORADIA ESTUDANTIL UNIFESP
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O Campus da Unifesp de Osasco ocupa parte de uma grande gleba que permaneceu desocupada enquanto a cidade cresceu ao seu redor, passando dessa forma a se constituir como uma grande lacuna no tecido urbano, interrompendo a malha viária.
A implantação do novo campus apresenta uma grande oportunidade de transformação urbana, não apenas por incorporar atividades que por si só são capazes de dar uma nova dinâmica ao bairro, mas por possibilitar a própria reestruturação desses espaços urbanos.

/acesse aqui a proposta completa/



conjunto a partir do campus

Neste sentido a Alameda Parque já projetada se constitui como elemento estruturador fundamental ao criar uma importante ligação viária que incorpora também sistemas de transporte público e cicloviário, além de apontar claramente a um desejo de integração dos programas da universidade com os espaços e usos da cidade.
O projeto para moradia estudantil procurou reforçar este princípio de integração e suporte a estruturas urbanas. O próprio programa de habitação demanda certa facilidade de acesso aos serviços fundamentais à vida cotidiana que extrapolam as atividades presentes no interior do campus. Além disso, algumas características espaciais favorecem a busca por soluções que promovam maior continuidade com os espaços urbanos:


implantação

O terreno de projeto possui o tamanho aproximado de uma típica quadra urbana, tendo sua face sul limitada pela Alameda Parque e sua face norte na continuidade do eixo da Rua Elzo Piteri. Além disso a face leste do terreno é limitada pela Rua Gal. Estilac Newton Leal, importante via que estabelece ligação direta com a estação Quitaúna da CPTM, o que sugere a necessidade de prever espaços de circulação capazes de comportar o fluxo de pedestres que utilizam o trem.
Nesse sentido, a proposta prevê a continuidade viária da Rua Elzo Piteri, bem como uma via transversal que a conecta com a Alameda Parque com caráter de via interna. A princípio esta via serve como suporte às demandas por estacionamento e carga e descarga, no entanto, abre também possibilidade de uma futura ligação viária entre a Rua Elzo Piteri e a Rua Gal. Carlos Luis Guedes.
Junto às vias existentes, que terão um uso mais intenso, procurou-se instalar os usos de caráter mais coletivo e público, sempre com a preocupação de integrá-los aos espaços urbanos articulando as atividades com os passeios públicos, circulações internas e áreas livres de estar e recreação.


conjunto a partir da rua

Na parte central do terreno foi proposto um grande espaço aberto que abriga a quadra poliesportiva e uma praça com espaços de estar, e que serve também para articular, através de rampas e escadas (que hora funcionam como arquibancadas), as circulações que interligam os principais pontos de interesse dentro e ao redor da área de projeto. Com isso pretende-se não apenas estimular espaços de encontro e convivência da universidade, mas sobretudo estender as qualidades de tais espaços ao entorno.


volumetria

Os edifícios de moradia foram implantados junto às vias propostas, no sentido de facilitar o acesso dos moradores e dar maior suporte às demandas cotidianas como retirada de lixo e realização de entregas, por exemplo. Além disso, a implantação visa resguardar as habitações dos fluxos mais intensos esperados nas duas vias existentes, organizando a transição entre programas públicos, semi-públicos e privados.


distribuição do programa

A organização do edifício habitacional teve como uma das prioridades a salubridade das unidades através de ventilação e iluminação natural, voltando todos os quartos para a face Norte ou Leste. Optou-se por afirmar e favorecer um uso mais coletivo dos espaços de estar restrito e do “auto-serviço” que, por serem compartilhados podem ter dimensões mais generosas e confortáveis.


plantas das unidades e articulação com o "auto-serviço"

Os edifícios possuem estrutura de concreto armado e vedação de alvenaria. Na habitação se optou por pequenos vãos estruturais otimizando o pé direito e a ocupação do espaço. Na porção que chega ao chão uma transição da estrutura em vãos um pouco maiores permite gerar espaços mais livres para os programas do térreo. Varandas distribuem a circulação de acesso aos dormitórios e apartamentos familiares voltadas para o exterior permitindo visibilidade, ventilação e iluminação natural também para tais fachadas. Um hall central otimiza o acesso aos edifícios ao mesmo tempo que unifica o acesso e o encontro diário dos moradores.


conjunto aos fundos do lote

A despeito da constituição do projeto como parte do programa mais amplo da Universidade, a proposta procurou em paralelo estabelecer um horizonte de reflexão mais amplo sobre a própria produção dos espaços urbanos, tanto em termos construtivos como espaciais. Nesse sentido o caráter coletivo das habitações estudantis bem como a necessária articulação com os programas semi-públicos e públicos, não foram vistos como aspectos excepcionais, estranhos às demandas cotidianas da cidade, mas sim como elementos com grande potencial para ensaiar formas alternativas de ocupação dos espaços urbanos.


prancha 1






prancha 2






prancha 3






prancha 4



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ficha técnica

local
Osasco/ SP
ano
2015
área da intervenção
10.000m²
área construída
9.596m²
arquitetura/autores
Danilo Hideki Abe, Mayra Rodrigues e Régis Sugaya