CONCURSO PARA SEDE ADMINISTRATIVA DA CÂMARA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE
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O edifício da Câmara Municipal de Porto Alegre, além de sua importância histórica, constitui-se como uma das obras mais significativas da arquitetura moderna do Rio Grande do Sul. Neste sentido, a proposta para um Edifício Anexo deve priorizar a preservação das características principais e do protagonismo do prédio existente, adequando a arquitetura da nova construção às suas características programáticas específicas, no entanto, sem abdicar da ideia de conjunto.

/acesse aqui a proposta completa/


ao fundo edifício existente da atual câmara municipal e a frente a proposta de ampliação

A atual Câmara se constitui como um volume único horizontal de planta quadrada com uma solução homogênea de fachada. A simplicidade de sua forma exterior proporciona uma apreensão imediata do edifício, reforçando seu caráter monumental, coerente com a solenidade das funções que o mesmo abriga. A proposta para o Edifício Anexo opta por uma solução de volumes menores espaçados entre si que proporcionam uma relação mais franca com o exterior, e dessa forma reforça a monumentalidade da construção existente ao distinguir-se formalmente desta.
Os dois volumes construídos, além de organizar a distribuição dos programas e acessos, conformam entre si um grande espaço livre, criando um amplo átrio de acesso associado ao espaço de exposições e diretamente ligado ao final da passarela coberta que conecta o edifício da Câmara no prolongamento da Av. Clébio Sória. Ao redor deste espaço se organizam também áreas de estar e contemplação que procuram tirar proveito das qualidades do entorno, e que de certa forma reproduzem no perímetro externo relações espaciais que no edifício existente acontecem internamente, associadas aos dois pátios ajardinados.


implantação: a. anexo, b. bloco de utilidades, c. edifício existente, d. passarela coberta

O edifício proposto, organizado em seis pavimentos, ultrapassa em altura o prédio existente. A opção por uma proposta mais vertical, por um lado tem intenção de proporcionar acesso à vista privilegiada do Lago Guaiba, tanto a Sul quanto a Oeste, e por outro permite uma planta mais compacta que, além de demandar menos área de circulação horizontal, evita que a nova construção bloqueie completamente a vista do edifício existente para quem observa o conjunto a partir do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho.


implantação

No centro do edifício foi previsto um vão central sobre o átrio de acesso protegido por uma cobertura de vidro. Com isso é otimizado o aproveitamento da luz natural nos ambientes de trabalho. A solução permite também o efeito de exaustão do ar quente, proporcionando ventilação cruzada nos escritórios As estratégias de eficiência energética são ainda reforçadas pela adoção de elementos metálicos de sombreamento constituídos por haletas fixadas sobre painéis retráteis de acionamento manual, que permitem descortinar a vista da paisagem nos horários em que não é necessário o sombreamento. Na cobertura, a previsão de painéis solares, bem como adoção de teto jardim associado a um sistema de recolhimento e reuso de água complementam as soluções de economia de recursos e uso racional da energia.


edifício proposto

Os programas de caráter público foram organizados de forma a terem acesso direto através da Avenida Clébio Sória para intensificar sua ocupação, uso e interesse: o café, um terraço, a sala de exposições, a obra de arte, os acessos e portaria. Nos seus andares superiores estão o auditório e o respectivo foyer além dos espaço de convivência e copa mini bar associados a um grande terraço de onde é possível acessar e desfrutar da vista oeste e sul do Lago Guaíba nos momentos de descanso e intervalo das atividades de trabalho ou dos eventos ali promovidos.


edifício proposto

O Bloco Leste unifica e aproxima os programas de escritório otimizando circulações e concentrando o acesso. Os dois últimos pavimentos se projetam sobre o Bloco Oeste, conectando com seu núcleo de circulação vertical. Esta situação permite que os gabinetes e escritórios ali situados igualmente desfrutem da vista pelas faces sul e oeste. Esse privilégio é estendido a todos na cobertura, onde está situado um grande terraço ajardinado de onde é possível descortinar a paisagem a partir do pavimento mais elevado do edifício.
Do ponto de vista construtivo, a nova edificação adota a mesma malha de coordenação modular utilizada pelo arquiteto Cláudio Araújo na proposta original. Com isso se estabelece um diálogo com o edifício existente através do ritmo dos elementos de fachada, além de otimizar a ocupação dos espaços ao facilitar o intercâmbio das soluções de vedação e mobiliário.


interior da avenida interna continuidade do edifício existente






esquema construtivo






prancha 1





prancha 2






prancha 3






prancha 4




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ficha técnica

local
Porto Alegre/ RS
ano
2014
área terreno
3.931,25m²
área construída
8.749,74m²
arquitetura/autores
Mayra Rodrigues e Régis Sugaya